Filme 19 | Os Imperdoáveis

Ficha Técnica:
Os Imperdoáveis (Unforgiven)
Ano: 1992
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: David Webb Peoples
Elenco: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman e outros.

Escolhido por: Banzai.
Discussão com início em: 11/07/13

Banzai:
Eu já havia assistido Unforgiven antes, assim como todos os filmes que eu havia indicado. O motivo de querer discuti-lo é o fato de eu não ser o maior fã do mundo do gênero Western e mesmo assim esse filme ter me fascinado. Eu estava preocupado, pois muitos filmes que me fascinaram, ao rever após o curso do Pablo, deixaram de ser tão fascinantes (Coração Valente foi um deles), mas com Unforgiven felizmente isso não aconteceu e tentarei explicar o porquê.

FILME

Banzai:
O filme claramente trás todos os aspectos de western que conheço, mas com um equilíbrio bem aceito em nossa época, ou seja, com bom senso 😉 o mistério sobre os personagens consegue prender a atenção com eficiência, pouco sabemos sobre eles. O conhecimento é apresentado linearmente, sem enrolar ou ir rápido demais, tive a vontade de desenhar um gráfico sobre rs…

Carlos:
Primeiro, vou confessar que tive um pouco de dificuldade para pegar a sacada do filme.
Creio que a principal dificuldade venha do fato de não estar familiarizado com o gênero. Vou confessar que eu NUNCA vi um Western. Esse foi o primeiro e, convenhamos, creio que ele seja um pouco diferente.
Mas, pelo que entendi, “Os Imperdoáveis” é um epílogo do gênero Western. Lá pelo meio do filme entendi isso, quando vi que todos os “cowboys” eram velhos. O Xerife, o pistoleiro inglês (mentiroso pacas), o Ned e o Will. O único mais novinho é o Schofield Kid. E, vejam só, ele é quase cego. Uma ótima dica sobre o que o Clint pensa das novas gerações, não?
Assim, passei a entender o filme como um revival de banda antiga.

Daniel:
Gostei muito do filme, de verdade. Assisti a poucos filmes do gênero, mas diria que este foi o que mais gostei. Tanto no roteiro quanto na direção.
O Banzai falou sobre a linearidade e velocidade de desenvolvimento da história, e isso também me chamou bastante atenção, em dois sentidos. Durante boa parte do filme, acompanhamos dois “núcleos” de personagens (Will e sua turminha que “apronta de montão” [segundo o Banzai hahahaha] e o pessoal da cidade Big Whisky, e ambos nos são apresentados separadamente e com calma, mas conectados pelo mesmo acontecimento. Pelo menos em mim, saber que inevitavelmente os caminhos de todos se cruzariam gerou uma ótima expectativa com um pouco de tensão, que culminou na ótima cena que Will toma aquela surra enquanto somos obrigados a encarar todos no bar a partir de um ângulo baixo, nos aproximando de Will e tornando os agressores mais ameaçadores. Ainda sobre o ritmo do filme, imagino que não tenha me aborrecido por este ser um western relativamente recente, pois os outros que vi eram antigos e um pouco arrastados (sempre me lembro do curso, quando o Pablo falou sobre a evolução dos filmes e exibiu várias cenas de um mesmo filme que só mostravam o personagem se deslocando, o que alongava desnecessariamente a coisa).
Carlos, gostei da sua leitura de “epílogo”, e o fato de o filme ser mais recente do que os antigos e consagrados filmes corrobora isso. Só não acho que o Kid ser “cego” realmente tenha algum subtexto de crítica às novas gerações, como vc colocou.

Cássia:
Li as análises de vocês e resolvi ir por um outro viés. Enxerguei o filme sob outros aspectos e, para variar, lá vou eu fugir das questões técnicas ou das características que definem o gênero de um filme. Aliás, não lembro dos westerns que assisti, provavelmente eu vi com meu pai, quando criança.
O filme me pegou logo no começo. Ver uma mulher sendo retalhada e depois ouvir que “tragam uns potros e tudo certo” fez o meu sangue ferver. Mulheres foram comparadas com potros. Uma moça foi retalhada e não houve um pingo de revolta da parte de ninguém. Afinal, ela é prostituta, “uma mercadoria” como disse o dono do bar. Eu não sou vingativa, mas não por ter um grande senso de compaixão. O cinema e a literatura me salvam. Ou seja, o que eu mais quis foi que os dois fazendeiros tomassem uma bala no meio da testa.

FOTOGRAFIA

Banzai:
A fotografia é super coerente, tem aquelas regras que todos sabemos sem inovar, mas não falha em momento algum, as composições com N cowboys apontando armas situam com facilidade o quão “fudido” está o cara, as cenas mais escuras com close nas expressões ou falta de expressões do Clint Eastwood, tudo muito bem executado. Toda a fotografia do filme é bem harmonizada com o roteiro, ex: quando ainda não sabemos quem é o Ned, só temos a certeza quando seu rifle Spencer aparece sobre a sua cabeça, e lá temos o recado a lá Sessão da Tarde sobre “esse cara apronta de montão e causa muita confusão no velho-oeste”.

Carlos:
Também percebi a fotografia do filme. Prestei muita atenção para entender as mensagens da luz usada em cada cena. Mas não peguei nenhuma (:DD). Seja lá o que a fotografia queria me dizer, não entendi. Claro, peguei a mensagem do rifle na cabeça do Ned, citada pelo Banzai, mas não evolui muito além disso.

Daniel:
A cena que o Banzai citou com a arma aparecendo acima da cabeça do Ned é realmente eficiente, e além disso, a sequência na casa dele serviu para nos mostrar as diferenças entre os personagens. Ned já não parece estar na melhor das situações, e ainda assim vejam como as cenas na casa dele são muito mais iluminadas e claras que as cenas na casa de Will. Essa comparação já mostra a situação péssima de Will, tanto financeiramente quanto emocionalmente, e nos ajuda a entender o porquê de ele estar querendo fazer o que vai fazer.

MONTAGEM

Carlos:
Tenho pouco a acrescentar sobre o que o Banzai já falou, sob o aspecto cinematográfico. A única coisa que achei especialmente estranha foram alguns takes super rápidos, sem qualquer explicação. Lembro de dois em especial. Um quando Will está conversando com Delilah e outro quando o pistoleiro inglês preso e olha para o xerife, naquela conversa sobre o escritor segurar a arma. No último caso, a cena tem um take extramente rápido para mostrar a câmera na perspectiva do prisioneiro. Mas isso é incompatível com a movimentação do próprio sujeito, que está se arrumando devagar na cama. Será que foi para mostrar que, apesar de se mover devagar ele estava pensando rápido? Seja como for, não funcionou para mim. Provavelmente fruto da minha incompetência, pois o filme ganhou o Oscar de melhor montagem.

Daniel:
Não reparei nos takes rápidos mencionados, mas aproveito o gancho sobre a cena na prisão para falar da combinação da mise-en-scène e da fotografia. Achei absurdamente sensacional o domínio que o Little Bill tem sobre a situação mesmo entregando uma arma carregada para o Beauchamp. Fica claro que em momento algum ele corre perigo, pois está de pé dominando o lado direito do quadro e vemos apenas a cabeça de Beauchamp lá embaixo no cantinho esquerdo. Além disso, quando surge a ideia de dar a arma para Bob, eu pensei “agora ferrou, por essa ele não esperava”, mas Bill nem mesmo hesita e parece querer apenas uma desculpa para matar Bob.
A rima visual entre a cena que abre o filme e a cena final.

Mau:
Bonita, não? Em ambas a árvore ocupa o lado direito da tela dando aquela impressão de solidão deixada pela mulher do Will.

Daniel:
Mauricio, verdade. Notei a rima visual mas não que a árvore está no lado “mais forte” do quadro.
Duas coisas que não gostei e achei que mereciam mais cuidado:
– Depois de matar o cara na privada, na hora em que Will e Kid estão fugindo dos amigos do morto, tem um plano no qual cada um está atirando pra um lado. Pode parecer besteira, mas é muito óbvio e constrangedor.
– A outra cena é justamente o clímax, no tiroteio final. Acho a montagem ali muito ruim. É difícil perceber o que está acontecendo, e do jeito que ficou, é absurdo pensar que ninguém teve tempo de acertar um tiro no Will. Em vez de passar a impressão de que o Will que é fodão e rápido, o que seria o certo, fica parecendo que os outros é que são péssimos e ficaram esperando levar tiro. Podia ter ficado MUITO melhor.

ROTEIRO

Banzai:
Já o roteiro, é superficialmente bobo, simples. Um homem bonzinho e pobre, junta o útil ao agradável para ajudar as prostitutas que defendem a honra de uma colega. Mas há várias nuances que fazem com que isso não fique tão óbvio, no começo sabemos que Will Munny era um criminoso, o tempo todo é dito que ele é algo que ele não demonstra ser. Ao mesmo tempo, a inclusão de um personagem que é iniciante faz com que você passe a aprender o que um cowboy deve fazer, quais requisitos, quais tarefas mais comuns, etc etc. O filme parece uma aula de como ser cowboy e por incrível que pareça é didático até poucos minutos antes do final…
Mas por que os últimos minutos não têm mais didática?
A atuação do Mr. Eastwood é como se fosse tudo explicado até aquele momento se concentrasse numa pessoa. Quando ele entra para vingar a morte do Ned (Stark??! lol) parece o robô dos Power Rangers, O Captão Planeta dos cowboys! rsrsrsrs Para mim a cena é tão bem feita que eu me senti uma das pessoas tomando a cerveja ou salsa parrilla junto de todos que estavam se borrando. A fala: “Quem não quiser morrer, saia pelos fundos…” serve só pra fechar a boca depois dele matar 5 pessoas sem ao menos se arranhar…rsrsrs…continuo impressionado com o clima, a tensão reproduzida ali…enfim, nota 10 para essa cena final.

Carlos:
… sobre o roteiro, não concordo com o Banzai sobre a simplicidade. O Will é uma personagem muito complicada.

Mau:
Já eu não concordo com o bobo. Acho sim que o roteiro é simples, e por isso a história pode ser bem contada. Sem firulas ou complicações, simplesmente isso.

Banzai:
Me expressei mal, não foi pensando em bobo de bobagens e etc., apenas que é uma história simples (superficialmente) mas com um objetivo claro, acho que isso me fez achar bobo. Normalmente ninguém sabe exatamente o que quer, mas no caso desse filme é simples: querem os 1000 dólares.

Daniel:
Já sobre o roteiro, vou concordar com o Carlos e o Mauricio. Também acho que é complexo disfarçado de simples (…) um comentário rápido sobre a morte dele: gostei muito da forma como descobrimos que ele está morto. Foi um choque inesperado e o fato de não termos o acesso à informação na hora em que acontece diminui a “onipresença” do espectador e torna a coisa mais real.

PERSONAGENS

Carlos:
Portanto, para mim ele é o cara mau que está em uma fase boa, mas tem saudades dos bons tempos. Lembram-se do Henry de “Os Bons Companheiros” e como ele sentia saudade dos “good old times”. Creio que, no fundo, Will não era muito diferente e, assim, na primeira oportunidade, ele voltou para “ativa”.
O arco dramático de Will começa com a saída de casa e intensifica-se na hora que ele toma a surra e precisa se recuperar. Viram como a cena fica fria “como a neve”, quando ele está doente? A mesma expressão que Kid usa para defini-lo no inicio do filme. Depois a mudança avança quando ele precisa matar uma pessoa pela primeira vez depois de mais de dez anos e, por filme, inverte-se de vez quando ele toma a bebida ao saber da morte de Ned.
E quando a transformação está completa, o filme finalmente vira um velho oeste típico, inclusive com a cena impossível citada pelo Banzai, na qual Will mata 5 pessoas ao mesmo tempo, com um revólver. O mesmo cara que, alguns dias antes, não acertou uma latinha com os mesmos cinco tiros.

Mau:
Essa foi uma opção audaciosa que me agrada e desagrada ao mesmo tempo. Audaciosa e que me agrada, porque o gênero do western sempre é lembrado pelos desertos, ambientes quentes e calorentos e por isso essa opção por vermos os cowboys cheios de roupa de frio, e também refletindo a condição do Will me agradou bastante (o mesmo vale para as várias sequências que ocorrem à noite). Mas ao mesmo tempo me desagrada por parecer que foi forçado justamente para se mostrar, pois fica fora do contexto temporal do filme. Num dia está sol, no outro tudo coberto por neve e no seguinte tudo vira um deserto calorento de novo. ; p

Banzai:
Notei a neve e fiquei meio incomodado com o fato de ter nevado em 3 dias e tudo ter se resolvido, inclusive a neve derretido. Mas deixei passar, furo de continuidade ou brincadeira do roteirista?
Maurício, eu acho natural a neve (mesmo ela não aparecendo em outros filmes), Django tem neve, talvez seja características dos novos Westerns rsrsrs.

Daniel:
O Carlos falou também do “fria como a neve”, e nem acredito que deixei mais essa passar. Na hora achei meio estranha toda aquela neve, mas logo deixei pra lá e não voltei a pensar.

Carlos:
(Só que os três devem ser o trio de “cowboys” mais incompetentes do velho-oeste. Um refuga o tiro na hora “h”, outro não sob no cavalo e o último não enxerga.).

Mau:
Vejo isso como uma tentativa de humanizar as personagens. Ok, eles são matadores super fodões, ele mata mais de cinco sozinho num bar, mas toma um coro dos porcos, enquanto o outro reclama da mulher e etc.

Banzai:
Hhuahuaha, perfeito, isso mesmo. Fico pensando como seria se ele bebesse whiskey pra cuidar dos porcos! rsrsrsrs

Carlos:
(Will) O homem redimido. Ou melhor, domado. Não creio que ele tenha sido o “homem bonzinho”. O homem bonzinho não teria ido embora e abandonado os filhos sem olhar para trás. Veja a frieza com que ele deixa as crianças. E fala para elas se cuidarem. Acho que nem se fosse o cachorro do vizinho eu resolvia aquilo tão tranquilamente.

Mau:
O Will é sim uma personagem complexa como o Carlos citou, mas isso é uma nuance da simplicidade da história, que da a liberdade para se concentrar na personagem do Eastwood.
Nem redimido e nem domado, para mim ele estava ainda tentando se convencer de que ele não era mais aquela pessoa. Até a metade do filme ele fica repetindo essa fala, como se fosse um mantra que nem ele tivesse aceitado, ou ainda não acreditasse nisso. E a cena em que eles estão conversando em volta da fogueira me deixou isso muito claro. Ali o rosto do Will está no ponto de fuga da tela, toda escura e só a parte da frente do seu rosto iluminado e é como se fosse um momento de introspecção, como se ele falasse novamente para não se deixar esquecer: “Eu não sou mais aquele homem”.

Daniel:
(…) a interpretação que o Mauricio teve da cena da fogueira foi idêntica à minha, e ele colocou de forma sensacional! Fica muito claro que ele repete que não é mais aquela pessoa pra tentar SE convencer daquilo, mas no fundo ele sabe que sua natureza continua igual, apenas adormecida. Pelo menos até a morte do Ned.
No começo, quando Will conta pro Kid que a mulher faleceu, gostei muito do olhar que o Clint dá para a árvore onde ela está enterrada. Um gesto bem simples, mas elegante.
As personagens femininas são fortes, e isso é raro e muito bom. Mesmo com todo o machismo da época (o dono do bar se refere a elas como mercadorias), em momento algum elas abaixam a cabeça, e seguem firmes no que acreditam. A força delas fica ainda mais evidente por sempre estarem de branco, mesmo que sejam prostitutas. Decisão corajosa.
Sobre o personagem Little Bill, é interessante que ele esteja sempre querendo “construir” uma cidade melhor (assim como tenta construir a própria casa), mas não perceba que está fazendo do jeito errado (daí as falhas na casa dele, goteiras, etc.). Ele é um sujeito de bons princípios que quer o bem de todos, mas sua raiva dos criminosos acaba levando ao abuso de poder. Ele tenta fazer o bem do jeito errado e acaba pagando com a própria vida, numa cena que me lembrou muito o final do Tropa de Elite (só faltou o “Na cara, não!”). Quando ele fala, antes de morrer, que estava construindo uma casa, acho que ele se referia à cidade. Vocês torceram para que o Will o matasse?

Cássia:
Discordo totalmente que Little Bill é “um cara de bem”. Ele é o xerife, se comporta como o dono da cidade e não perde a chance de mostrar quem manda. Ele insistia em falar “pato” em vez de “duque”, como se dissesse: “Se eu falei que é PATO, será PATO e fim.” Sem falar que os pobres rapazinhos são “rapazes de bem que fizeram besteira”. “Eu faço é prostitutas correrem”. Ah, sim, ele dá surra nos homens de fora que chegam à cidade. Mas quando é um homem negro, ele amarra na cela e usa a chibata. Sem falar que o espancou até a morte e o colocou num caixão aberto, para todo mundo ver. Se eu torci pela morte de Little Bill? Eu disse para o Will “ATIRA LOGO!” e ele me ouviu prontamente.
Vocês também não comentaram sobre um ponto crucial do filme: a esposa do Will. É a sua lápide que abre e fecha o filme. Se o Will não mudou sua natureza, porque ninguém muda a sua essência, ele a abafou por conta daquela mulher. Ele deixou de matar por ela. Ele deixou de beber por ela. Ele não dormia com prostitutas, mesmo sendo um homem viúvo, em respeito a ela. Há homens que sequer respeitam as esposas vivas, que dirá se já morreram… Por conta dela, ele criou um senso de moral que passou a guiá-lo ao longo da vida. Sim, ele era frio, inclusive com os filhos, mas não significa que ele não se importasse. Aliás, o “gatilho” para ele voltar a matar foi o dinheiro. Mas acho sim que ele ficou mexido com o que aconteceu com a moça. Tanto ele quanto o Ned. E foi a morte do Ned que o fez matar geral, mas isso não significa que não houve um grande prazer em fazer aquilo. Lembram de um diálogo em Kill Bill 2 (que não contarei qual é para não spoilear) que deixa isso claro?. Existe aí um senso de moral, da “morte justificada”. Não que eu ache que isso exista na vida, tudo bem? Mas cabe perfeitamente na história.

Daniel:
Ok, só para me retratar porque me expressei muito mal. Rs Eu falei que o Little Bill é um sujeito de bons princípios, e retiro isso. Eu não concordo com nada do que ele fez o filme inteiro. O que eu quis dizer é que ele tem um objetivo “nobre” (acabar com a criminalidade), mas tenta alcançá-lo da pior forma possível. Aproveitando que eu mesmo falei sobre o “Tropa”, ele representa exatamente o que o BOPE é no filme.
Já sobre a morte do Ned, eu que vou discordar. A Cássia parece ter visto racismo por parte do xerife por causa da diferença de tratamento. Não acho que seja assim. Quando o xerife espanca a galera na cidade, é uma forma de reprimir, prevenir que algo aconteça. Mas no caso do Ned, o xerife já sabia que ele havia participado de uma morte e estava tentando arrancar informações. Pra mim ele não fez distinção por ele ser negro, tanto que não seria nenhuma surpresa se o Bob tivesse “acidentalmente” morrido com aquela surra também. Na cabeça do Bill, tudo para proteger a cidade é justificável.

Banzai:
Pois é, pra quem assistiu Django, não houve nenhum preconceito com o Ned, acho até que encobriram historicamente, pois nessa época (15 anos após a libertação dos escravos no US) deveriam usar só termos que nos horrorizariam hoje.

Cássia:
Daniel, sim, entendi que você comparou o Little Bill ao capitão Nascimento, mas foi disso que discordei. Não acho que o seja, nem de longe! Para mim, ele se assemelha ao governador, de “The Walking Dead”. Ele não quer acabar com a criminalidade, ele quer manter aquele lugar, e aquelas pessoas, sob o seu jugo.
Sob a outra questão, não apenas acho que Little Bill é racista (além de misógino), como o filme mostrou o racismo. Só o negro foi para a chibata. Claro que há o contexto do filme, ele foi acusado de assassinato, existe a questão da época, como bem colocou o Banzai, mas a cena me incomodou demais. Demais demais demais.

Banzai:
Também achei ele mais errado que o próprio Nascimento rsrsrs, o nascimento por exemplo torturou a mulher do Baiano, não acho que ele a mataria ahuauhhua. Mas se o Nascimento nascesse naquela época, será que isso não seria normal dele?!

TRILHA SONORA

Mau:
Outra coisa que me desagradou (e bem nesse sentido) foi a trilha sonora. Pontual, ela só aparece em alguns momentos, quando os cowboys estão cavalgando. Parece que ele pensou, bom western tem que ter cenas de cowboy cavalgando ao longe por pastagens desoladas, com uma música de fundo e etc. Dispensável. Além de serem bem ruizinhas 🙂

DETALHES

Banzai:
Encerrando: Por que Munny voltou a ser o que era por alguns instantes? Ele sempre disse que era o whiskey que fazia aquilo com ele, nada mais natural que essa situação ocorresse em Big Whiskey, Wiyoming…

Carlos:
Depois a mudança avança quando ele precisa matar uma pessoa pela primeira vez depois de mais de dez anos e, por filme, inverte-se de vez quando ele toma a bebida ao saber da morte de Ned.

Mau:
A morte do Ned, seu parceiro e única lembrança de sua antiga vida, mexe com ele. Na hora em que ele descobre, ele toma a garrafa de whiskey do Kid e passa a beber já deixando de lado todo o blá-blá-blá e pensando no homem que ele nunca deixou de ser. Outra dica disso é que ao longo do filme a voz dele é meio vacilante e insegura, mas ao entrar no bar como o antigo homem, sua voz tem mais impostação, é mais forte e decidida.

Cássia:
Outro ponto que achei importante foi a não banalização da morte. Parece contraditório, mas pensemos: Ned quis ir embora depois da primeira morte. O Kid se abriu em lágrimas por ter matado alguém. Will matou geral, mas antes teve a “justificativa” da morte de Ned. Aliás, depois disso, ele se mudou com os filhos e seguiu a vida, nunca mais matou ninguém. Inclusive, ele quem diz ao Kid sobre o peso que é matar alguém: você acaba com o que uma pessoa é e com o que ela faria na vida. Isso é bem pesado e é verdade. Não importa o que a pessoa tenha feito até aquele ponto, ela foi morta. Num mundo em que um tiro na cabeça virou coisa corriqueira, ter essa visão nos dá um estalo sobre o real significado da vida de alguém.
Por fim, Will indo embora como paladino da justiça deve ter sido o clímax western, não foi? Hehehehe.

Daniel:
(…) gostei da análise da Cássia, especialmente sobre a não banalização da morte, que me passou despercebida e faz um contraponto interessante com o que vimos em “Os bons companheiros”.

Banzai:
Cássia sempre se expressando muito bem :), e a fala dele no filme, que tirar a vida é tirar MUITA coisa de alguém, é tirar tudo o que a pessoa tem e poderia ter é bem profunda, infelizmente poucos parecem saber disso…

Cássia:
É, Banzai, a vida está a preço de banana. Meu irmão e eu estávamos agora mesmo falando sobre o filme e soltamos juntos um “poutz, aquela frase do Will!”, porque ela é forte demais. É uma daquelas cenas que guardarei comigo.

Mau:
São esses pequenos detalhes que fazem a diferença entre um filme mediano e um bom/ótimo filme…

Banzai:
Reassistir um filme assim é prazeroso também pelas pequenas referências, detalhes. Espero que também tenham curtido!

Carlos:
Caramba, depois da análise de vocês percebi que assisti a um filme diferente. Vocês não ficam com a sensação de que não pegam um décimo do filme? Bom, pelo menos, cada filme que nós discutimos, tenho a certeza que nossa absorção cresce.

Cássia:
Carlos eu tenho a mesma sensação, de ter visto um filme diferente. Na verdade, sinto isso sempre e, assim, ler as análises de vocês sempre me acrescenta muita coisa. Dá vontade de ver o filme novamente.

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