Cinema on the Rocks | Ela

Ficha técnica:

Ela (Her)
Ano: 2013
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson e outros.

Spike Jonze tem se mostrado um dos melhores diretores desta geração. Com filmes como “Quero ser John Malkovitch” e “Adaptação” em seu currículo, ele nos traz agora o “Ela”, que também concorre ao Oscar de Melhor Filme em 2014. Uma tocante história de amor entre um homem e o sistema operacional de seu novo computador, um sistema de inteligência artificial desenhado para aprender e evoluir com suas interações.

SPOILERS deste ponto em diante.

Joaquin Phoenix interpreta Theodore, um escritor com um trabalho diferente, escrever cartas para os outros, numa versão futurista da personagem de Fernanda Montenegro em “Central do Brasil”. Tendo acabado recentemente um relacionamento, suas maiores interações sociais se dão com os vizinhos em eventuais encontros no elevador. Por isso, toda vez que escreve uma carta por alguém ele esboça uma expressão de felicidade em seu rosto como, se de certa forma, ele é quem tivesse vivido determinada experiência.

Até que Samantha entra em cena. Interpretada pela “voz” da Scarlett Johansson (e se você assistir à versão dublada vai perder todas as nuances que a voz rouca da atriz consegue transmitir à personagem) ela vai se relacionando cada vez mais profundamente com Theodore, e com ela mesma, conforme ela vai adquirindo cada vez mais consciência a respeito dela, a respeito dele e do mundo em que vivem.

Spike Jonze consegue construir um universo totalmente crível, de tal forma, que acompanhamos nada menos que uma história de amor. Em nenhum momento nos questionamos sobre o alvo do relacionamento, ao contrário, nós o aceitamos de forma normal (será isso um reflexo do nosso relacionamento cada vez maior com nossos smartphones?). Somente quando um elemento desse universo questiona o relacionamento é que nos damos conta do que estamos presenciando. E assim como Theodore, já estamos tão envolvidos nesta relação que isso não é suficiente para nos trazer de volta à “realidade”.

Mas, assim como nem todos os relacionamentos possuem um final feliz, o de Theodore e Samantha infelizmente também passa pelo ciclo: se conheceram, se apaixonaram, se amaram, se separaram…

E é em uma cena logo no início do filme que o Spike Jonze nos mostra todos estes elementos ao som de “Off you”, uma música do The Breeders. Não ouvimos um trecho específico da música, e sim uma edição para reforçar, e destacar, quatro elementos que o diretor vai nos transmitir ao longo do filme.

“…
I’ve laid this island sun a 1000 times

Fortune me
Fortune me

I am the autumn in the scarlet
I am the make-up on your eyes

I land to sail
Island sail
Yeah, we’re movin
…“

O primeiro é o de que Theodore é uma ilha. Após o término de seu relacionamento, ele se torna uma pessoa introspectiva e solitária. Sua única amiga mais próxima, ainda da época de seu relacionamento, pede para ter o antigo Theodore, o alegre, de volta. Por vezes tão deprimido, ele até pede para seu celular tocar uma música melancólica (justamente a “Off you”) enquanto volta para casa. Quando não está trabalhando, ele está isolado em seu apartamento com seu videogame. Até que, por sorte, ele esbarra na propaganda do novo sistema operacional que desencadeia toda a história do filme.

O segundo é relativo ao escarlate, ou vermelho, que é a cor que compõe as roupas do Theodore (isso é bem acentuado no cartaz de cinema do filme). O vermelho é associado ao amor, à paixão. Vemos que Theodore era muito apaixonado pela sua ex-esposa e o rompimento com ela deixa um espaço nele que precisa ser preenchido, mesmo que ele se mantenha isolado do mundo na maioria do tempo. Além disso, o vermelho representa também a motivação para o recomeço.

Que nos leva ao terceiro elemento, o outono. A estação do ano é o que nos lembra que, às vezes, precisamos cair para nos levantar. O ciclo de um relacionamento pode culminar em uma separação, mas o que importa é que isso nos fortaleça e nos deixe prontos para encontrar a próxima pessoa, mesmo que, no caso do Theodore, essa pessoa seja um sistema operacional.

E por último, ainda que o ciclo infinito das estações do ano represente o ciclo do relacionamento, o último verso da música está lá para lembrar ao Theodore, e a nós também, que não devemos nos acomodar, devemos continuar nos movendo, pois uma hora encontramos a pessoa certa e encerramos esse ciclo.

Até a próxima, e lembrem-se de deixar nos comentários sugestões de filmes que vocês consideram que o diretor fez uma boa utilização do rock como parte de seu filme (ou não!) para que possamos analisá-lo.

P.S. Na indisponibilidade da cena em questão, deixo vocês com uma apresentação ao vivo da música que a acompanha.

Mau
http://www.twitter.com/tuitedoMau

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2 respostas em “Cinema on the Rocks | Ela

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